Ex-escrivão foi inocentado em primeiro julgamento e condenado a 15 anos de prisão no segundo, há menos de 20 dias
Por Cláudio Dias
O ex-escrivão da Polícia Civil Sérgio Manini Junior, 43 anos, condenado pelo Tribunal do Júri de Araraquara, no último dia 22, a 15 anos de prisão em regime fechado, está solto. Ele foi sentenciado por ter matado, em 6 de março de 2000, um homem suspeito de ter participado do assassinato de um delegado. O Tribunal de Justiça (TJ), em São Paulo, concedeu o habeas corpus ao ex-funcionário público até que o recurso do tempo de pena seja julgado. Ele foi liberado na quinta-feira.
Segundo Carlos Eduardo Patrocínio Rosa, advogado do ex-escrivão, o TJ entendeu que durante todo o processo o réu ficou em liberdade, portanto, agora sua prisão não tinha justificativa.
Ele só foi preso no dia do segundo júri. "Da condenação não tem mais como recorrer, mas vamos tentar diminuir o tempo de pena e, até que isso seja julgado, o Manini vai ficar em liberdade", diz o advogado.
Histórico
O caso teve bastante repercussão na época, início do ano 2000. Homens armados invadiram uma distribuidora de frios fazendo alguns reféns, em Américo Brasiliense. Wilson Batista Reinato, 39, que era delegado titular e morava próximo ao local, tentou ajudar nas buscas e foi baleado durante a fuga dos criminosos. Ele morreu.
Houve buscas e Antônio Gonçalves Batista, 42, que participou do assalto, mas não atirou no delegado, foi detido com um revólver e levado à delegacia.
Para evitar um linchamento em Américo Brasiliense, a polícia transferiu o suspeito para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em Araraquara.
Delegados e investigadores o pressionavam em busca de pistas dos comparsas quando o ex-escrivão apareceu. De acordo com o Ministério Público, o policial estava de folga e não havia sido convocado para a ação, mas surgiu na unidade. Quando ele o encontrou, Batista estava sentado no chão e algemado.
O ex-policial sacou um revólver e, por trás de um delegado, matou Batista com cinco tiros. O ex-policial alegou que o suspeito tentou roubar sua arma, porém, a versão nunca foi confirmada.