sábado, 29 de janeiro de 2011

EDITORIAL - A estupidez de quem sabe

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais, redigida e divulgada pela Unesco, prevê o tratamento digno e respeitoso à toda e qualquer espécie animal – doméstica e selvagem. Além da Unesco, o código penal também pune por maus tratos pessoas que são inaptas a conviver e cuidar de um bicho. Porém, as punições são brandas, impedindo que os criminosos se sintam ameaçados – geralmente possibilitando que continuem covardemente a explorar criaturas inocentes e que, basicamente, precisam de comida, água e carinho.

Em Américo, por volta das 16h20 desta segunda-feira, dia 24, o carroceiro Olerino de Souza, 55 anos, o “Paraná”, protagonizou mais um caso de maus tratos a animais no município. Ele obrigava a égua Princesa – que está com uma fratura crônica na pata dianteira direita – a puxar uma carroça carregada de entulho – mesmo com o animal visivelmente mancando em decorrência da dor provocada pela lesão (proveniente de excessivo esforço, promovido pela falta de respeito de Paraná a uma vida).

A Polícia Militar foi acionada pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) da cidade. Policiais encaminharam o carroceiro à delegacia, onde ele foi indiciado por maus tratos e em seguida liberado. Paraná, segundo apuração da Gazeta de Américo, já foi indiciado por agredir sua esposa em 2010. O crime ocorreu porque sua mulher tentou impedir que Paraná continuasse a agredir um cavalo com chicotadas. O carroceiro estava bêbado na ocasião, da mesma forma que no dia em que Princesa foi salva.

A égua foi encaminhada para o CCZ e ganhou um espaço exclusivo para pastar e se recuperar da lesão na articulação. Na Declaração citada no início deste editorial, há dois trechos os quais dizem que “todos os animais têm o direito ao respeito e à proteção do homem” e “nenhum animal deve ser maltratado.”

No papel tudo é muito bonito, porém é necessário que as pessoas se conscientizem e assumam que existem indivíduos ruins e os denunciem para que um dia os animais não sejam explorados por motivos banais.