sábado, 5 de fevereiro de 2011

Grávida de Américo teria sofrido queda três dias antes de ser atendida no hospital

Apesar do acidente ela não foi encaminhada para o hospital; o bebê que esperava também morreu

Por Alfredo Henrique

A família de Eni Skolute Moreira, 32 anos – que morreu às 0h30 desta segunda-feira, dia 31 – acusa o Hospital Municipal de Américo Brasiliense de negligência, em decorrência da demora no atendimento à mulher, grávida de 36 semanas. O bebê que Eni esperava, uma menina, também morreu. Segundo a Gazeta de Américo apurou, Eni teria sofrido uma queda três dias antes de procurar atendimento médico no ProntoAtendimento da cidade.

Ela não foi encaminhada para o hospital depois disso. Uma pessoa, que pediu para não ter o nome divulgado por questões de segurança, informou que familiares de Eni contaram que só chamaram a ambulância depois que a vítima passou mal. “Eles ligaram para a ambulância depois que a barriga dela endureceu e quando ela começou a sentir dores, no final da tarde de domingo.”

Uma enfermeira, de acordo com Adriana Aparecida do Prado, 34 anos, amiga de Eni, demorou cerca de 15 minutos para colocar a vítima dentro da ambulância e para fechar a porta traseira do veículo. “Veio um motorista e uma enfermeira. A porta da ambulância tava quebrada e demorou para fecharem e a levarem (Eni) para o hospital.”

No hospital da cidade, demorou cerca de quatro horas para que a vítima fosse atendida, consultada e encaminhada às pressas para a Santa Casa de Araraquara. A certidão de óbito dela diz que Eni morreu de choque hipovolêmico (quando o coração fica incapaz de fornecer sangue suficiente para o corpo) e de aneurisma aorta abdominal rota (dilatação arterial localizada que pode ser confirmada por ultrassom. 90% dos casos, caso o aneurisma se rompa, são fatais).

Por telefone, o médico pediatra Vitor Lourenço de Almeida, de Araraquara, informou que só é possível atribuir a morte da mãe e da criança à queda na escada mediante autópsia. Porém ele disse que se a queda foi “feia” é possível que tenha proporcionado a morte de mãe e bebê. “Não posso afirmar. Mas se a mulher caiu e bateu com força próximo à barriga isso pode ter possibilitado a morte dela e da criança.”